Skate sem fins lucrativos é um blog criado pelo skatista Eduardo de Mazza Pessanha (Stuart) que, cansado de tentar expor suas idéias somente para os amigos mais chegados, teve a brilhante idéia do blog para poder alcançar outros patamares. O blog, como o nome já diz, não tem nenhum intuito comercial; é apenas um espaço para debates de assuntos que dizem respeito ao skate em geral.
Também estão convidados a participar alguns amigos da cidade de Petrópolis, do Rio de Janeiro ou de qualquer outro canto do Brasil e, quem sabe, do mundo, sempre que sentirem a vontade de expressar suas opiniões. Não gostou é só falar que o Punk vai te dar uma voadora ninja, parcero...

(Não deixem de ler os artigos mais antigos e os comentários em geral. A alma do blog, as discussões mais intensas, os fatos mais engraçados e uma imensa gama de idiotices estão alí expostas. Participe!)


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dar o bom exemplo

Volto a repetir, mais uma vez, que devemos tomar os bons exemplos como exemplos pois acredito que só através da positividade conseguimos evoluir de verdade. Ninguém está acostumado aos bons exemplos. Basta ler ou assistir os jornais que você será alvo de milhares de acontecimentos negativos, más notícias, desastres, escândalos, etc. No skateboard, um exemplo que podemos seguir é o do tão falado Steve Berra que tem melhorado sua atitude a cada dia com o sucesso de seu skatepark/site/loja/magazine The Berrics. É revigorante ver que existem pessoas que se preocupam com a perpetuação do skate da maneira correta, incentivando as lojas de skate locais e a cena underground. Por mais que a realidade lá e cá seja extremamente diferente, e que eu mesmo critique veementemente a maioria da indústria do skate nacional com seus preços abusivos, acredito que ele esteja seguindo um caminho que podemos nos espelhar para mudar o que rola por aqui.
Dando uma olhada em seções que ainda não tinha reparado no Berrics, lí um texto que o próprio Berra deve ter escrito no início das atividades do site, e achei importante (re)transmitir aquilo para os que ainda não prestaram atenção no que não é rolé e para os que tem preguiça de ler, ainda mais em inglês. Ai vai:

"Um artigo do New York Times disse recentemente que o skate é uma indústria que movimenta 5 bilhões de dólares por ano. Uma notícia dessa magnitude faz com que nos perguntemos 2 coisas: como é possível tanto dinheiro ser movimentado em uma coisa que é totalmente ilegal na maioria dos lugares em que você vai? E pra onde está indo todo esse dinheiro? Posso te afirmar 2 coisas com certeza: não pro meu bolso e certamente não para a construção de locais adequados onde os skatistas possam fazer a única coisa que mantém o skateboard vivo: andar de skate.

Então como o skate tem continuado a se perpetuar? Bom, pela nossa natureza somos um grupo criativo, persistente e, de alguma maneira, sem leis. Se nós formos impedidos de andar de skate, deixaremos o local e voltaremos no meio da noite com geradores e luzes. Se tiverem colocado travas em um corrimão ou em uma borda, a gente vai lá e tira. Se tiverem rachaduras no concreto, a gente conserta. Se existe um tranco no final de um corrimão, a gente vai lá e serra ele. Isso é o que nós temos que fazer.

Há 2 anos atrás eu recebi críticas pesadas por estar construindo locais para se andar de skate. E minha posição foi sempre a seguinte: eu prefiro fazer os picos skatáveis do que não andar mais de skate. E agora não existe uma única revista ou vídeo em que eu não veja um pico que tenha sido modificado ou até completamente fabricado para melhorar a skatabilidade. Por quê? Porque o skate é ilegal em todos os lugares que você vai e as pessoas que querem vê-lo vivo fazem qualquer coisa pra mantê-lo vivo. Quando estava ficando cada vez mais difícil de se andar de skate em piscinas, o vertical foi inventado. Quando os verticais não eram acessíveis para os skatistas, eles passaram a andar nas ruas porque elas preferiram andar de skate em qualquer lugar do que parar de andar de skate. Isso se chama mudança.

As coisas mudam. Os shapes mudam, os tênis mudam, as manobras mudam, os skatistas mudam. Mudança é a manifestação do tempo e o tempo tem nos mostrado que o skate vai ficar enquanto nós, como indivíduos e como grupo, o mantivermos vivo. Embora nada perto de 5 bilhões de dólares por ano faturados com o skate tenha sido investido na construção de locais apropriados onde possamos andar, existem pessoas suficientes para continuar fazendo acontecer. Seja construindo bordas em locais distantes, ao leste do centro, como o Jason Hernandez; construindo mini rampas no quintal de casa como o Mikey Taylor; concretando pole jams no chão como o Emmanuel Guzman; ou comprando prédios e construindo skateparks dentro deles, como eu e Eric Koston; nós continuamos crescendo porque nossa vontade de andar de skate e nossa desejo de sobreviver é muito forte e a única alternativa é parar e morrer. Mas nós do The Berrics acreditamos que a vida foi feita para ser vivida, não para morrer. A morte não tem graça nenhuma. Qualquer um pode se matar."


Se amarrou? Então faça alguma coisa a mais do que acertar uns flips. Qualquer um pode fazer isso...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Análise precisa da atualidade brasileira

Transcrevo aqui algumas impressões de Darwin, escritas a quase 200 anos, em relação a nós, brasileiros, pois infelizmente concordo com o que diz em gênero, número e grau, mesmo não sendo eu tão fiel à sua teoria da evolução e achando o dito cujo um aristocrata inglês um tanto quanto marrentinho:

"Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que em pouco tempo ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados. Um homem pode tornar-se marujo ou médico, ou assumir qualquer outra profissão, se puder pagar o suficiente. Foi asseverado com gravidade por brasileiros que a única falha que eles encontraram nas leis inglesas foi a de não poderem perceber que as pessoas ricas e respeitáveis tivessem qualquer vantagem sobre os miseráveis e os pobres. Os brasileiros, até onde vai minha capacidade de julgamento, possúem só uma pequena quantia daquelas qualidades que dão dignidade à humanidade. Ignorantes, covardes e indolentes ao extremo; hospitaleiros e bem-humorados enquanto isso não lhes causar problemas; temperados, vingativos, mas não explosivos; satisfeitos com suas personalidades e seus hábitos, respondem a todos os comentários perguntando 'por que não podemos fazer como fizeram nossos antepassados antes de nós?"

E ainda:

"Se ao que a natureza concedeu aos Brasis o homem acrescesse seus justos e adequados esforços, de que país poderiam jactar-se seus habitantes? Mas onde a maioria está ainda em estado de escravidão e onde o sistema se mantém por todo um embargo da educação, fonte principal das ações humanas, o que se pode esperar a não ser que seja o todo poluído por sua parte?"

Será que alguém mais conseguiu identificar alguns acontecimentos cotidianos na reflexão darwiniana sobre nós?

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Mais uma pergunta...

Se você procurar no Youtube, provavelmente vai achar algumas centenas (ou até milhares) de vídeos com desastres, ações policiais, ações militares, mortes, acidentes e etc. A mesma coisa nos jornais impressos e televisionados. Me parece que não há nenhum problema em se disponibilizar material com violência nos meios de comunicação. Já enviei alguns emails a tais órgãos midiáticos fazendo a mesma pergunta que farei aqui, porém de maneira mais leve. A pergunta que faço, então, é a seguinte:

- Por que você encontra vídeos no Youtube de gente sendo fuzilada, decapitada, atropelada e detonada de todas as maneiras possíveis e não encontra um peitinho a mostra, de uma mulherzinha gostosa, sequer??? Por que que a morte é tão valorizada e o corpo humano exposto é censurado?

Eu, se tivesse um filho, ou uma filha, preferiria mil vezes que ele/ela assistisse cenas de sexo na internet, coisa mais natural do mundo e que TODOS NÓS FAZEMOS (senão não estaríamos aqui), do que assistindo mil maneiras de como uma pessoa pode morrer ou matar. Eu sei, todo mundo morre também, mas nem todo mundo mata e se não fossem essas pessoas que controlam o que você deve ou não saber, talvez milhares de pessoas nunca saberiam como é que acontece quando alguém corta a cabeça de outro com uma faca de cortar pão.
Que mundo doentio do caralho! E ainda tem gente que acha o skate uma coisa agressiva, marginal, subversiva. Ah, vai todo mundo tomar no olho cú!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Perguntas pertinentes

Estou criando um novo espaço aqui no blog com perguntas que me vêm à cabeça todos os dias. Perguntas ora filosóficas, ora muito escrotas, ora úteis e ora totalmente inúteis.
Quem souber as respostas, por favor, comente ou entre em contato. Providenciaremos uma nova religião totalmente dedicada a você!
Hoje mesmo vi um outdoor numa rua do maldito Rio de Janeiro, e me perguntei:
- Por que os anúncios de cuecas só tem uns filhos da puta musculosos pra caralho? É anúncio pra homem ou pra viado essa porra? (bem, aí já vão duas de uma vez).

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Envelhecer no skate

Pegar o skate nas mãos e sentir uma sensação de que naquele momento tudo está certo na sua vida. Tudo o que você sofreu, tudo com o que você se estressou, todas as limitações e frustrações do seu dia desaparecem. Você está finalmente fazendo uma coisa que você queria de coração. O shape e os trucks estão na largura certa, as rodas no tamanho exato e você está com aquela roupa que não prende em nada os movimentos. Tudo está no seu devido lugar.

Você joga o skate no chão e sobe nele. Pronto. Agora sim o seu corpo está completo. Você dá a primeira remada e sente a lixa aderindo ao seu tênis, o chão sob as rodas e o molejo dos eixos te transmite a sensação de leveza, de deslize sobre as ruas. Você olha as pessoas ao redor e sente por elas nunca terem experimentado tal sensação. Sente por elas passarem uma vida inteira através dos simples passos. Passos duros. Passos pesados. Passos quadrados e cadenciados. Caminhar é digital, skate é analógico.

Através do primeiro ollie você sabe se seu dia será bom ou ruim; ou que você poderá ficar tranqüilo e aproveitar ou que terá que se esforçar um pouco mais para ser o seu ideal. Só você sabe o seu ideal. Só você sente o que está sentindo e isso te conforta. Você sabe que pode se enganar em qualquer coisa na vida, menos no skate. A satisfação de voltar uma manobra com perfeição. A alegria de acertar uma manobra nova. A surpresa por conseguir cair em uma base que você achava que não seria a perfeita, mas que por ser imperfeita te transmite uma nova sensação. Experimentar andar com os pés mais juntos, mais afastados, mais à frente, mais atrás. Sentir a habilidade sendo adquirida ao longo do tempo. Sentir o amadurecimento do seu próprio skate. Sentir valer a pena todo segundo.

Ficar um ou mais dias sem andar fazem você se sentir vazio, mas quando você volta a alegria vem proporcional ao dias parado. Entender o skate. Se surpreender com o skate. Saber que por mais que você saiba muito, você ainda não sabe nada. Saber que mesmo o profissional mais admirado do mundo tem uma relação com o skate diferente da sua. Andar de skate, conversar skate, respirar skate, pensar skate. Tudo no mundo pode estar errado, mas quando você está em cima do skate você sabe que você está fazendo a coisa certa. O certo pra você. O certo pra sua alma. Saber que haja o que houver na sua vida, você ainda vai ser skatista.

Eu sou skatista. Haja o que houver.

domingo, 13 de setembro de 2009

Busenitz for S.O.T.Y.!!!



Péla-saco de gringo ou não, depois de assistir a batalha entre Chris Cole e Dennis Busenitz no Battle At The Berrics 2 http://www.theberrics.com/dailyopspost.php?postid=1339, resolvi fazer campanha pelo cara pro Skater Of The Year 2009 (não que isso vá adiantar alguma coisa!). Votei nele ano passado e acho que ele é cara que mais representa o tipo de skate que eu gosto de ver: técnico e descontrolado ao mesmo tempo, básico, surpreendente e veloz pra caralho!
Tudo bem que o Chris Cole ganhou, mas foi uma disputa justa e deu pra ver que ambos estavam em condições de ganhar. Eu, que gosto muito de um solinho, tive até inspiração pra escrever qualquer coisa depois de assistir ao vídeo.
Enfim, vejam e chorem. Assistam e andem de skate! E me chamem, de preferência!!!

sábado, 22 de agosto de 2009

Departamento Sequencial

Baseados numa excelente revista de skate nacional, nós, do SSFL, resolvemos criar uma nova seção especialmente para aqueles que querem evoluir no carrinho e ficarem por dentro das manobras mais atuais da atualidade: o Departamento Sequencial!
Nesta primeira edição convidamos o eleito "Melhor Skatista do Mundo", Gregori Bastos "Alecrim" para presentear os leitores com uma das manobras mais difíceis da atualidade, escolhida pelo próprio skatista, que diz mandá-la pelo menos sete vezes por sessão.
Não deixem de assistir todos os passos da execução desta manobra e garantimos que após assistir o vídeo você não errará mais nenhuma vez!!!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Variações metalinguísticas culturais do skatista brasileiro

Questionados sobre a qualidade de um determinado vídeo de skate americano, skatistas de várias partes do Brasil responderam, à sua maneira:

Paulista:
- Vixe mano, o bagúio é loco! Mó da hora, firmeza...

Carioca:
- Porra, o vídeo é como? Porradão mané, como? Caralho, como? Sinistro leque!!!

Gaúcho:
- Bááááá, videozinho tri! A gurizada tá apavoraaaando!

Mineiro:
- Noooooooossa véio! Estileira a nível Califórnia!!!

Bahiano:
- Vídeo? Que vídeo? Óxi, num tava sabendo não meu rei...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Jam Session em Nikity City!

Meu camarada, que se auto entitula "Rei" de Niterói, Pirikito Sem Asas, está na organização desta Jam Session que vai rolar dia 23 de Agosto (agora!!!) e o SSFL vai quebrar as barreiras sociais das montanhas serranas para fazer a cobertura do evento. Vamos levar uma lona gigante pra cobrir o local em caso de chuva...
Brincadeiras a parte, a real é que a premiação vai ser regadíssima (de acordo com o próprio Rei), com direito a vários Do It Shoes (é né, cadê o nome dos filhos da puta no cartaz???).
Aproveitando o lema da marca, apenas vá ao evento. Só isso.


domingo, 9 de agosto de 2009

Realidade esquizofrenizante!

Outro dia ouvi isso numa aula e tive que rir pra caralho. "Realidade esquizofrenizante". É um termo no mínimo engraçado, se é que a palavra esquizofrenizante existe ou foi apenas um neologismo da maldita professora ! Na hora acho que ri mais pela sonoridade das palavras em conjunto do que pelo seu sentido. Ou por ter me situado automaticamente em situações esquizofrenizantes várias vezes, repetidas vezes, no meu dia-a-dia. Pelo menos a meu ver.
Andar de skate, por mais que não pareça, é esquizofrenizante. Por mais que cada um tenha o seu sentido individual de skateboard (um anda apenas “for fun”, o outro quer seguir carreira, o outro quer buscar a evolução, e por aí vai), todos concordam que uma das melhores coisas que o skate nos proporciona é uma vida paralela à vida comum, de pessoas comuns, que seguem as regras da sociedade como cordeiros, que seguem uma realidade esquizofrenizante pra caralho. O skate nos dá a sensação de que estamos de fora da sociedade, o que é um tremendo equívoco. Praticamos algo que é pago. Nosso skate é pago, nosso skate custa dinheiro. Para você andar de skate, você precisa estar inserido na sociedade de alguma maneira: trabalhando para conseguir dinheiro para comprar o seu skate, contribuindo para a sociedade; usando o dinheiro de terceiros para comprar seu skate (pais, namorada, familiares, vítimas de assalto, etc.); ou sendo um skatista amador ou profissional, ganhando suas peças graças aos que precisam pagar pra comprar o skate trabalhando ou sugando terceiros. Em qualquer destas situações, você está fazendo parte da sociedade, gerando empregos, movimentando dinheiro, gerando aborrecimentos, alegrias, e fazendo parte de uma realidade esquizofrenizante.
Eu fico puto ao ver que várias vezes o que nos parece ser algo extraordinariamente bom pode nos prejudicar de maneira inversamente proporcional. Deixamos de participar de decisões importantes da sociedade, que poderiam nos favorecer, e muito, por nos sentirmos à parte. Por não nos sentirmos como membros da porra da sociedade. Por mais que não nos agrade nem um pouco a idéia de fazer parte de algo tão sujo, algo totalmente contra o que fazemos, a realidade é essa. Fazemos parte de uma realidade esquizofrenizante.
Acho que o legal seria pensar o seguinte: cara, eu ligo o noticiário da TV e fico sabendo quantas pessoas morreram num deslizamento de barreira na Tunísia, assisto a um filme no cinema onde eu fico sabendo visualmente como é a cabeça de alguém explodindo após a explosão de uma granada, abro o jornal de Domingo e descubro que enquanto o prefeito da minha cidade negava uma verba de R$50.000,00 para a construção de uma pista de skate pública ele gastava R$100.000,00 do dinheiro público em um mês de férias no Caribe e vejo a proliferação de pessoas que se auto-intitulam religiosas e ao mesmo tempo fazem o que for preciso para encher o bolso de grana. Então, eu, andando de skate, gastando meu dinheiro pra isso, procurando evoluir em algo que não prejudica ninguém e, ainda por cima, me divertindo com isso, sou um dos menos filhos da puta nessa realidade esquizofrenizante e tenho todo o direito de reclamar pelos meus direitos de cidadão esquizofrênico.