sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

FUCK DA POLICE

Hoje tem greve da polícia. Se tudo der certo e se Murphy (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Murphy) não vier me cobrar até o fim do dia, esse será apenas um dia como outro qualquer, porém menos pessoas morrerão no Brasil.

Por andar de skate eu já teria mais de mil motivos para não confiar em um policial, mas eles se mostraram tão ineficazes em outras ocasiões que eu não consigo simpatizar com o seu trabalho de maneira alguma. Só por andar de skate eu já tomei a famosa "dura" diversas vezes. Mas não posso reclamar, já que nasci com menos melanina que alguns de meus amigos, e isso me salvou de tapas mais fortes na cara. Essa melanina deve estar associada a algum gen maligno ou ao próprio capeta, pois sempre que tinha alguém com a pele mais escura no bando, os "homi" tratavam de mostrar a esse alguém quem é que mandava na cena. Muitas vezes os próprios policiais eram afro-descendentes, mas desciam a porrada nos crioulos com vontade, para garantir o sossego de seus donos, os maravilhosos caucasianos.

Mas quem sou eu para acusar nossos corajosos policiais de racistas, já que eu, exemplar humano com pouco pigmento, também sofri leves mas dolorosas lições de moral e cívica? Já liguei para eles através do 190, após sofrer um atentado criminoso em minha casa, e um cordial homem da lei respondeu a meu apelo:

- Amigo, isso aqui não é Estados Unidos não! Tem é que ligar pra delegacia mais perto ai!

E bum; telefone na cara.

Ou quando, recém assaltados em uma ação armada e motorizada, eu e minha família fomos registrar boletim de ocorrência em uma delegacia em Copacabana, e encontramos policiais totalmente embriagados na porta da delegacia, mal conseguindo pronunciar as palavras e em serviço.

A real é que não lembro de nenhuma vez em que precisei da ajuda de um policial e pude contar com ela. O que eu lembro são das abordagens agressivas, do linguajar mais do que inapropriado, do cinismo na fala e de todos os outros acontecimentos que me fizeram aprender mais a temer a polícia do que a apreciar o seu trabalho. Talvez seja esse mesmo o objetivo: manter as pessoas controladas através do medo, da mesma maneira que atuam certas religiões em nossas vidas. Mas isso já é outro papo...

Enfim, em homenagem a esse dia tão especial, dedico aqui uma canção a nossos bravos homens, vítimas de uma sociedade doentia e criminosos por formação, que travam batalhas morais diárias, em um trabalho paliativo infinito, marionetes de governantes e protetores do patrimônio público por R$786,00 mensais:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Resultados do 1º Campeonato de Skate Petropolitano de 2012

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que organizar um campeonato de skate sem ganhar nem um tostão é uma merda. Por isso mesmo eu aprecio e valorizo muito o trabalho dos muleque que organizaram este que rolou antionti: Renan Carvalho, Rafael Shuat, André Paiva e Frederico Assis. Ah, e o Yuri Moura, que não é skatista mas tá tentando fazer pela juventude de Petrópolis o que poucos têm a coragem e a dedicação de se proporem a fazer.


Esse olhar de preocupação é comum aos que se prestam a organizar um campeonato de skate


A chuva fez parecer que o campeonato seria um desastre de público, opinião pré-estabelecida após anos de experiência e vivência em Petrópolis, cidade conhecida pelo marasmo e pouca dedicação dos moradores a eventos sociais fora das salas de tv. Porém, demonstrando mais uma vez que a cidade está mudando de verdade e que a cabeçinha de porcelana dos cidadãos petropolitanos está se abrindo, meu pré-conceito foi substituído pela constatação de um grande público, especialmente para um dia de chuva e para um local não tão acessível a transeuntes desavisados.


Mais um campeonato com obstáculos construídos pelos próprios skatistas locais.


O campeonato em si transcreveu-se como de costume: vários skatistas sedentos por premiações; manobras sendo executadas umas em cima das outras, no melhor estilo faroeste (vence o mais rápido); total falta de respeito de alguns participantes para com os companheiros nas diferentes baterias e categorias (amadores andando na bateria dos iniciantes e vice-versa); skatistas reclamando o tempo inteiro com o narrador do evento (esse que vos fala), sem levarem em conta o fato de que quem narra não julga porra nenhuma; competição disfarçada de confraternização (para parecer aos leigos que o "espírito do skate" não morreu) e muitos outros fatos dignos de nota, mas que causariam ainda mais desgosto ao leitor impaciente deste blog.


Distribuição de (re)VISTAS pra galera. Mais uma prova de que o tátil ainda é muito bem-vindo.


Deixando de lado as percepções de um skatista que nunca gostou de campeonatos pelo cunho competitivo destes e pelo provincianismo de alguns de meus conterrâneos, que agem como tietes de qualquer skatista que não tenha em sua certidão de nascimento Petrópolis como cidade natal, o evento teve saldo positivo, uma vez que proporcionou alegria aos skatistas locais e, fato inerente a todo campeonato de skate, fez com que estes mesmos vislumbrem novas possibilidades nos seus futuros, seja a nível de possibilidades de manobras ainda não imaginadas, ou de um aditivo de esperança àqueles que buscam um futuro no skateboard nacional.



Muleque que mais andou no campeonato. Coincidentemente, era também o que possuia a mais extensa lista de apoios.


Gostaria de acrescentar que estes últimos motivos citados são os únicos que posso imaginar serem positivos em campeonatos como esses que a gente costuma fazer aqui na cidade. Em geral, os campeonatos passam e os skatistas permanecem na inércia e no limbo causados pela desestruturada e desmotivada cena local. A diferença de nível de skatistas que têm apoio e/ou locais adequados para a prática constante foi a prova disso, como tem sido nos últimos 15 campeonatos locais que me recordo. Por mais que nós saibamos do potencial dos nossos amigos skatistas locais, não é só de talento e dedicação que se forma um skatista de nível.


O que é pior: Não ter um time de skate da loja? Não ter nem um skatista apoiado pela loja? Ou ter pedido pro caixa da loja fazer o cartaz? Você decide, mas que a premiação foi boa, isso temos que admitir.


Espero que esse texto não desmotive ninguém. Pelo contrário: que sirva de alimento para novas mudanças, seja pelo ódio à minha pessoa ou pela vontade de ser do contra, tão comum a nós, skatistas; ou simplesmente pela competitividade de querer provar que estou errado em minhas observações. A proposta é gerar um questionamento sobre o que fizemos, o que fazemos e que precisa ser feito. Que venham novos campeonatos, muitos, mas que no dia seguinte a tal evento os skatistas que tenham optado por participar possam estar treinando para o próximo em um lugar foda pra andar de skate, e não em uma mordaça construída por senhores feudais para silenciar os servos.


Nossa senhora, que veneno!


Agradecimentos aos lojistas locais e marcas que acreditaram no evento, em maior ou menor escala, mas que acreditaram de uma maneira ou de outra (a premiação foi excelente):

Kilôko (http://www.kiloko.com.br)
Spaço Surf
Sapateando (www.sapateando.com.br)
Feeling Clothing (feelingclothing.blogspot.com)
SSFL (essa porra aqui)
Nike SB (http://www.nikeskateboarding.com)
Gatorade (www.gatorade.com.br)

E a algumas pessoas que ajudaram nos bastidores:

Pirikito Sem Asa
Vitinho Puro Osso
Rodrigo CB
Gregori Bastos Alecrim

A todos os skatistas locais que ajudaram direta ou indiretamente e aos que vieram de outras cidades para participar ou prestigiar o evento!


Fred e Paul Rodrigues: contrastes de duas realidades.


As fotos aqui postadas são as que achei interessante compartilhar. Não necessariamente de manobras, mas de fatos marcantes ao meu ver. Se quiser outras fotos de suas manobras, ou de seus amiguinhos dando a bunda um pro outro, procurem em outros lugares, beleza?